08.26.06
vergonhosamente grunho
«EU PESCO a mais. E só não pesco ainda mais quando não posso». António Silva Vieira, o armador português com maior número de barcos de pesca longínqua, não tem por regra respeitar quotas de capturas.
Por feitos destes não só entrou na lista negra da UE como lhe chamam «pirata». «Pirata, não! Corsário», afirma em entrevista ao EXPRESSO. Nos seus barcos é «o presidente da República». Tem outro princípio – «Morrer e pagar são para retardar» – que aplica a certas contribuições para o Estado. Tranquilo, procurando a ironia, arranja uma justificação para os seus barcos navegarem com documentos desactualizados: «Não gosto de deitar fora documentação antiga». (Expresso)
E este senhor não vai preso porquê???
O artigo continua, vale a pena lê-lo todo… seguem-se algumas considerações que, apesar de serem do senso comum, nunca é de mais repetir.
08.25.06
que miséria…
_Então e se eu hoje fosse ao cinema? Deixa cá ver se consigo encontrar por aqui…
Sonhar com Xangai
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Pois, era de esperar. Então e…
As Filhas do Botânico
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Também não? Pronto, OK, nada de cinema oriental. Talvez uma coisa menos alternativa…
Os Amantes Regulares
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Ai…
A Vida Secreta das Palavras
SBC-International Cinemas, Sala 7, 16h05
_Só uma sessão e às 4 da tarde? Mas está tudo doido? Pronto, pronto… Toca a ceder ao mediatismo, um dos próximos tenho que conseguir ver em ALGUM lado!
Mozart e a Baleia
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_O quê??? Será possível, nem uma estreia?
Separados de Fresco
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_DESISTO! Parece que é impossível ver um filme decente e nem é só em Faro, é no distrito inteiro… Louro, salta aqui para o meu ombro. E traz a pála para o olho e a perna de pau, vamos ver um filme em 15 polegadas. PIRATA!
08.21.06
das instituições
Sempre houve qualquer coisa nas instituições que me incomodou. E para ser franca, incomoda ainda. É precisamente o facto de serem instituições. De estabelecerem o padrão, de demarcarem o normal, de definirem o modelo, os princípios que regem, as leis fundamentais. E de amputarem liberdades.
São como que um código moral por decreto, uma lista de princípios e valores que são fundamentais. Ora, se são assim tão fundamentais, por que têm de estar escritos? Por que têm de se instituir? Se são realmente fundamentais, por que não são inatos? A moral, os princípios, os valores, não deveriam ser intrínsecos à condição humana?
Se deveriam, é óbvio que não o são. E tê-lo-ão sido alguma vez?
O casamento sempre foi das instituições que, desde cedo, me fez mais confusão. Se duas pessoas se amam a ponto de quererem viver juntas, constituir uma família, empreender um projecto comum, partilhar uma vida… qual é a necessidade de um contrato que o ateste? Qual é a relevância de um documento cheio de cláusulas e termos legais para a relação entre duas pessoas que se amam? É um contrato que fará com que se amem mais, ou com que a família seja mais feliz ou com que o projecto seja mais bem sucedido?
De facto, não é. Por isso, e também pelos destroços de pateta, ingénua e idealista que ainda vou encontrando em mim, tenho mantido intacto o meu descrédito na instituição do casamento. Porque embora não seja estúpida ao ponto de acreditar que o amor dura para sempre, tenho uma terrível dificuldade em aceitar que, se ele acaba, possa acabar também a integridade, a honestidade, o respeito pelo outro – o que, já de si, é revelador de um grau de estupidez bastante considerável.
E é precisamente quando duas pessoas deixam de se amar, que o casamento faz todo o sentido. Quando, depois de uma vida inteira em comum, alguém olha para o lado e não vê uma pessoa, mas um inimigo. Um incómodo perfeitamente dispensável, do qual se tem de livrar o mais rapidamente possível. E não há respeito, não há moral, não há princípios, não há valores. Só mesquinhez. E então abre-se a gaveta e lá está, esquecida por baixo de uma vida; imprestável por toda uma vida; toda engelhada, amarela e cheia de pó, mas pronta a salvar quem estiver em perigo: A Instituição.
As instituições, como as vejo, são um fruto da degradação humana. E no fundo, não são elas que me incomodam. É o facto de serem absolutamente necessárias.
08.20.06
quero dos deuses
Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre – sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem deuses concedem
Nada tem liberdade.
Ricardo Reis
08.13.06
do outro Algarve
Numa altura em que metade da população do país pega na trouxa e ruma a Sul, para se amontoar numa faixa de 2 ou 3 kilómetros ao longo da costa algarvia, acabei de fazer a portentosa descoberta de um reduto do outro Algarve na grande rede: O Parente da Refóias.
O Parente da Refóias é um blogue absolutamente delicioso, escrito em algarvíe, que se dedica de forma bem original a divulgar a região de Monchique, as suas tradições, usos e costumes.
E porque o Algarve é muito mais que sol e praia; que as Quarteiras, as Albufeiras e as Praias da Rocha a rebentar pelas costuras; que os cámones, o Zézé Camarinha e as noites loucas; que as horas no trânsito, as filas para tudo e as frentes de mar obstruídas por arranha céus monstruosos… Porque o Algarve genuíno está vivo e recomenda-se, O Parente da Refóias merece uma visita. Virtual e não só, que a zona é bem bonita!
Atão aqui de Fáre, um bêjinhe e té mai lógue!
08.04.06
ao som de…
Tenho a sensação de que, por muitos anos que viva, nunca vou conseguir ouvir e conhecer toda a música que gostaria. Aliás, não é uma sensação, é um facto e pronto.
A semana passada andei horas perdida na Fnac, a maior parte do tempo entre discos. A certa altura bati os olhos naquele ali de cima. Estava em escuta, e eu ouvi. A princípio aos bocadinhos, mas depois decidi que tinha de ouvir tudo. Depois decidi que tinha que poder ouvi-lo sempre que me apetecesse. E tem-me apetecido bastante… Porque é lindo! MA-RA-VI-LHO-SO!
Assim que tive tempo, fui pesquisar acerca deste senhor. Descobri, por exemplo, que Ali Farka Touré nasceu e viveu no Mali, que é considerado um dos maiores músicos africanos dos últimos tempos, e que morreu no passado dia 7 de Março. E descobri também o resto da sua discografia.
Eu sou pouco dada a classificações, rótulos e etiquetas. Dizem os entendidos que é uma fusão entre os ritmos tradicionais do Mali, de influência árabe, e o soul americano dos grandes mestres. Pode até ser. Mas para mim há essencialmente dois tipos de música: a que gosto e a que não gosto. E desta gosto muito!
O que é que eu tenho andado a ouvir, para só descobrir este senhor agora?












