02.23.07
hoje, há 20 anos atrás…

Imagem daqui
Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P’ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
José Afonso, Balada do Outono
Hoje, há 20 anos atrás, morria Zeca Afonso. E hoje, há 20 anos atrás, eu com 9 anos tinha o meu primeiro encontro com a morte. Não de alguém próximo, não de alguém conhecido, mas de alguém que desde sempre teve lugar de destaque na banda sonora lá de casa.
E lembro-me de me ter emocionado na altura, sem perceber muito bem porquê. Coisa que ainda agora me acontece, de cada vez que oiço o Zeca. Como com certeza voltará a acontecer quando revir pela enésima vez o último concerto, no Coliseu, em 1983. É hoje, à 1h30, na RTP1.
Coisas que me fazem pensar que talvez tenha nascido fora do meu tempo.












Anónimo disse,
23 Fevereiro, 2007 às 09:53
É óptimo que malta do teu tempo seja capaz de experimentar a emoção contida na vida, na obra e na morte do Zeca.
Ainda bem que há, quem tenha tido a sorte de ter em casa, enquanto lhe nasciam os dentes, a presença do Zeca – porque o Zeca nunca é só uma banda sonora.
É tão bom encontar nos escritos da tua idade, o fruto da semente lançada ao vento pelos ‘Zecas’ de todos os tempos.
Gosto muito de te ler e de meditar no que sentes e gosto de pensar que tu e o teu tempo são muito mais capazes de entender a urgência dos gritos de denúncia do tipo:
“E se houver uma praça de gente madura
E uma estátua de febre a arder
Ai de alguém
Que ande à noite de breu à procura
E não há quem lhe queira valer”
catarinia disse,
25 Fevereiro, 2007 às 14:49
Pois… que posso eu dizer perante isto?
Só muito obrigada!