27 Dezembro, 2004

finalmente, acabou!

Posted in desabafos às 03:50 por catarinia

O Natal a mim não me diz nada. Primeiro porque não vivo a religiosidade da época; depois porque o espírito que se apregoa e que era suposto existir nesta altura, desapareceu para dar lugar a um consumismo desenfreado e quase doentio; e ainda porque desde que me lembro, é uma altura em que cá em casa o mau ambiente se agrava e em que os meus pais fazem questão de se ferir um ao outro ainda mais um bocadinho, se é que tal é possível. De maneira que a conjugação de todos estes factores, fazem até com que tenha alimentado uma certa antipatia pela quadra natalícia.

Mas, este ano, não sei o que é que deu à minha Mãe. Talvez para tentar fugir um bocadinho ao tradicional ambiente de cortar à faca, resolveu juntar a família toda cá em casa. Vieram as primas, enfiámo-nos na cozinha na 5ª feira à tarde, e só saímos na 6ª depois do jantar, com umas horinhas de intervalo para um sono curtinho. Cheguei ao fim da noite derreadinha de todo e a odiar a cozinha e a comida, mas até que foi engraçado: a família reunida, uma amena cavaqueira, crianças em delírio com as prendas, e essas coisas que costumam acontecer nas famílias normais.

Se tivesse acabado por aqui, até que tinha sido um dos poucos natais agradáveis de que me lembro. Mas não! Com o exagero desmarcado e o desperdício da praxe, tínhamos comida suficiente para alimentar um batalhão em campanha. E foi exactamente o que aconteceu, deu-se início a uma maratona para comer tudo e não deixar sobrar nada, que prolongou o Natal até há bocadinho. Tal e qual um casamento cigano, o meu Natal durou três dias! Três dias no enfardanço. É que nem sequer é só um exagero, é a personificação quase perfeita da marabunta!!!

Ainda bem que finalmente acabou, não aguentava nem mais um minuto de cozinha, nem de comida, nem de desassossego. Amanhã vou tratar de sair de casa, apanhar muito ar, e começar a desintoxicação: para mim, só água; e de vez em quando também pode ser uma sopinha.

2 comentários

  1. Humberto said,

    Da minha parte reconheço, apoio e compreendo a muita coragem da Catarina em trazer a público, um pouco do que se passa dentro da privacidade da sua familia, a qual diga-se de passagem, merece o meu maior respeito. O Natal é uma época que convida os membros familiares a se reunirem em torno de uma união, que pressupõe uma conversa com debate construtivos, e a partilha dos anseios, das mágoas, das alegrias e das tristezas que existem no seio da familia, para dentro de um clima de harmonia e entendimento, se reflectir sobre o que fizemos de bem e de mal, de certo e errado. É triste que a Catarina que comunga do verdadeiro espirito de Natal, não consiga encontrá-lo entre os seus.

  2. catarinia said,

    Hum, lamento desiludir-te Humberto, mas não me parece que eu comungue do verdadeiro espírito de Natal. Antes de mais por o Natal ser uma festa religiosa, religiosidade essa que eu respeito, mas da qual eu não partilho e com a qual não me identifico.

    De resto, a união, a partilha, a harmonia e o entendimento deveriam existir durante todo o ano, e não apenas no Natal. Se não existem nunca, porque carga de água é que o aniversário de alguém com mais de 2000 anos deve inspirar sentimentos e atitudes que as pessoas não têm nos outros 364 dias do ano? Digamos que nesse aspecto, até tenho uma família coerente.


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