28 Janeiro, 2006

a hierarquia das comemorações

Posted in causas às 01:30 por catarinia

Porque é que anda toda a gente eufórica com a comemoração do 250º aniversário de Mozart, e ninguém se lembra que no mesmo dia, e muito mais recentemente – ainda no tempo de vida de muitas das pessoas que se passeiam por este mundo – se deu um acontecimento muito mais importante?

A 27 de Janeiro de 1945, o exército soviético libertou os três campos de concentração de Auschwitz (Auschwitz I, Auschwitz II-Birkenau e Auschwitz III-Monowitz), os maiores campos de morte nazis. Faz hoje (ou ontem, mas para mim hoje ainda é ontem…) 61 anos.

Hum? Não diz nada a ninguém? Não será uma comemoração muito mais relevante?

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27 Janeiro, 2006

and now, for something completely different…

Posted in musicalidades às 19:20 por catarinia

24 Janeiro, 2006

este é giro!

Posted in musicalidades às 16:44 por catarinia

Para mudar de assunto e aliviar o ambiente, tudo já a correr para aqui, para descobrir a "one hit wonder" dos 80's que vos calha na rifa.

Convém avisar o pessoal abaixo dos 20 de que são bem capazes de encontrar vocabulário desconhecido, do tipo Petazetas, Bombocas, Spectrum e Revista Bravo. Mas alegrem-se, que o Google é vosso amigo!

A mim saiu-me esta:

Você é "Come On Eileen" dos Dexy's Midnight Runners (1982):
Você é viciado em diversão com os seus amigalhaços. Gosta de fazer disparates, sobretudo se desafiado com argumentos do género «aposto que não és capaz»

(via Amorizade)

23 Janeiro, 2006

ainda sobre as presidenciais

Posted in politiquices às 02:23 por catarinia

Gosto das emissões especiais em noite de eleições. Acho piada ao guião das intervenções calculadas ao minuto, para ver quem é que fala em último lugar, e quem é que tira o protagonismo a quem. Aos discursos em que todos desenterram sempre um qualquer motivo de vitória e não há responsáveis pelas derrotas, ou se tentam atirar as culpas para o vizinho do lado. E às opiniões dos "so called" analistas políticos, essas então chegam a ser de chorar a rir. Como por exemplo ouvir o Marcelo Rebelo de Sousa a dizer que sempre achou que o Manuel Alegre seria um candidato mais forte que o Mário Soares, mesmo perigosíssimo numa eventual segunda volta, quando na verdade sempre disse o contrário, e precisamente uma semana depois de ter admitido que se tinha enganado nesse aspecto… Mas adiante.

Eu sou mais uma pessoa de movimentos cívicos. Apesar de reconhecer os partidos políticos como fundamentais para o equilíbrio das sociedades, os aparelhos partidários e os interesses que os movem… Como hei-de dizer? Fazem-me espécie. De maneira que, depois de o meu candidato não ter chegado a vias de facto (ainda não foi desta que me calhou o bailarino cubano a que tenho direito) comecei a olhar com interesse para a candidatura de Manuel Alegre. Pareceu-me corajosa, íntegra, e mais importante, independente. E hoje verificou-se que foi um belo banho de cidadania.

Não posso no entanto deixar de achar curiosas algumas das reações aos resultados. Estava tudo suspenso da guerra Soares/Alegre, à espera de ver quem ficava à frente. Foi o Alegre, e com uma diferença considerável. Logo, estava o jornalistame todo a querer ver sangue! Muito sangue!!! Foi uma festa quando a soutôra Ana Gomes vem deitar as culpas para cima do Manuel Alegre, como se fosse ele o responsável pela vitória do sô pessor, e dar a entender que tem de ir ao castigo. Depois vem o nosso Primeiro pôr-se a discursar ao mesmo tempo que o candidato rebelado, muito ao estilo «eu sou mais importante que tu, deixa cá roubar-te o tempo de antena, que ninguém te há-de ouvir nem a dizer que perdeste». E depois, ele próprio não tem responsabilidade nenhuma, claro. Não foi ele que convidou e depois desconvidou o senhor. Não foi ele que escolheu, do seu entendimento do mal menor, o candidato que o PS ía apoiar. E não foi esse mesmo candidato que fez uma campanha vergonhosa e arruaceira, do alto da sua provecta idade e experiência, que é tudo um posto já se sabe, e que por isso achou que podia fazer e dizer o que entendesse, que nada o atingia. O mesmo candidato que, como veio hoje a verificar-se, ficou arrumado à boxe com um resultadeco de trazer por casa. E não tem responsabilidade nenhuma porque as candidaturas à presidência são pessoais e não dos partidos. Como tal, não há quaisquer ilações nem consequências a tirar do facto de o PS ter tido aqui um autêntico acto falhado, e muito menos qualquer responsabilização do partido e do seu secretário-geral. Pois muito bem, então nesse caso, porque haveria o Manuel Alegre de ser responsabilizado?

Pois eu, olhando para este imbróglio todo do lado de fora, se estivesse no lugar do secretário-geral do PS, era capaz de ficar assim um poucochinho envergonhada de sair à rua. E até era senhora de me pôr a pensar um bocadinho na situação e, concluindo que tinha dado o proverbial tiro no pé, decidir que não tinha cara de continuar à frente do partido, e ala que se faz tarde. Mas isso era eu. É claro que, uma vez que o secretário-geral do PS é também o Primeiro Ministro, fica tudo muito mais complicado. E complicações é coisa que ninguém quer.

De maneira que, é de mim, ou estas eleições acabaram com o Partido Socialista? O PS do Mário Soares bem que estrebuchou, mas no fim resistiu à tentativa de reanimação e acabou de se finar. O PS de esquerda emancipou-se e saiu de casa à revelia. Resta o PS – Partido do Sócrates – que de socialista tem muito pouco, se é que alguma coisa.

A mim o que me cheira é que o PS, Partido do Sócrates, que por acaso coincide com o Governo, se vai dar lindamente com o Presidente, sô pessor. Vão ser muito amiguinhos e não vai haver problema nenhum, porque afinal as diferenças são quase nenhumas. Até se podiam juntar todos o criar o GPTMFD, o Grande Partido do Tudo ao Molho e Fé em Deus.

A minha dúvida prende-se com o filhote de esquerda. Será que tem capacidade para se manter por si só, ou volta a correr para casa dos pais e fica tudo na mesma?

22 Janeiro, 2006

parece que temos presidente, não é?

Posted in politiquices às 23:52 por catarinia

Lá ganhou o sô pessor. Não é que 0,6% seja a diferença esmagadora tão prevista e tão ansiada, mas afinal, só um voto a mais seria o suficiente. E lá o vamos ter, ao homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas, na Presidência da República. Ui! Que até se me dá arrepios!

É que o sô pessor é mesmo bronco, pamor d'eus!!! Então fica-me enfiado em casa e manda cortar o trânsito lá da rua? E não é que o ouvi hoje de manhã, na rádio, nesta conversa?
«- Sô pessor! Sô pessor! Hoje é um dia importante para Portugal!?»
«- Hoje é um dia importante PARA MIM!»

Pois, isso a gente já sabe… Mas podia manter o figurino, não? Há bocado já esteve ali no discurso todo amiguinho de todos, que agora vai ser o presidente de todos os portugueses e blá blá blá… Olha, e agora está a fingir que também se emociona, a puxar à lagrimita, obrigado a este e àquele que me ajudaram. Oh homem! Que se emocione é que ninguém espera! Deixe lá isso, que soa mesmo a falso. Pffffff!!!

Olhe, eu não o engulo nem com molho de tomate! Deve ser por essa sua aversãozinha à oposição a si próprio, e ao direito à manifestação, sabe? Desde a primeira vez que andei a correr à frente da polícia de choque por sua causa, que não o suporto, pronto! Irrita-me a sua atitude de "quero, posso e mando" e não acredito nem um bocadinho na história do "agora sou uma pessoa diferente". Quem não sabe ouvir, não é depois dos 65 que aprende. Olhe, tenho fé que se revele durante o mandato, e que o poveco caia em si e chegue rapidamente à conclusão de que não é nenhum salvador da Pátria. É que, se gramá-lo nos próximos 5 anos já vai ser um sacrifício, nem quero pensar no martírio a 10 anos…

18 Janeiro, 2006

na terra dos sonhos – o livro

Posted in leituras, musicalidades às 00:39 por catarinia

Ora bem, ora bem! Párem-se as máquinas! Finalmente, cá está ele!!!

Um ano! Levei quase um ano a dar pistas e dicas, na esperança que alguma alma caridosa se resolvesse a largar-mo no colo… E foi preciso sugeri-lo como presente da minha Mãe para um amigo meu, para finalmente me vir parar às mãos!

(A propósito: obrigada, Pedro! Parece que era o único exemplar num raio considerável, e não fosses tu ter essa lata toda, ainda não era desta… "– Epá, não gosto de ler poesia… E as letras já as sei todas de cor!" Pois olha, tá dito, tá dito! E agora é meu, todo meu, meu até ao fim! Mas juro que não foi estratégia, pensei mesmo que ías gostar…)

Pois muito bem, "na terra dos sonhos [poemas]" é a compilação, feita por João Carlos Callixto, de todas as letras escritas por Jorge Palma, para as suas canções e para as de outros. Estava desertinha para lhe pôr as mãos (e os olhos!), mas com estes últimos dias mais ou menos agitados, só ontem é que lhe peguei.

E não me apetecia parar! É que se dá o caso de gostar muito, mas mesmo muito, deste senhor. E "na terra dos sonhos" terá, a partir de agora, residência oficial na minha mesa de cabeceira.

Na Terra dos Sonhos

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim, não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ía de mal a pior

Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sozinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços duma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

(Jorge Palma, Geneva, 1978)

17 Janeiro, 2006

nostalgia antecipada

Posted in amiguinhos, poetas e sonhadores às 20:10 por catarinia

Hoje perdemos o homem da casa. Acabou finalmente o curso e lá foi, de armas e bagagens, à vidinha dele.

Não é que vá propriamente para o outro lado do mundo (pelo menos para já!) mas, apesar de juntos parecermos os velhos dos Marretas, já sinto assim uma nostalgiazinha antecipada… É uma bela dupla que se separa.

E agora? Com quem é que vou implicar?

De maneira que volta sempre que quiseres e puderes. Mesmo que não haja espaço podes sempre dormir no tapete, que a Dharma aquece-te os pés!

Entretanto, toda a felicidade do mundo para ti, Amiguinho! Já tenho saudades!

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.

Amigo é a solidão derrotada!

Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

(Alexandre O'Neill in No Reino da Dinamarca, 1959)

12 Janeiro, 2006

a 2 dos 30…

Posted in rambóia às 01:39 por catarinia

7 Janeiro, 2006

há quanto tempo?

Posted in la dolce vita às 03:48 por catarinia

– "Estás bonita!"
And… You made my day!

6 Janeiro, 2006

então o sô pessor Cavaco não conhece o Código da Estrada?

Posted in politiquices às 00:52 por catarinia

Hoje vi o começo da "entrevista informal" do sô pessor na TV (confesso que não tive paciência nem para chegar a meio). Mas mesmo assim, foi um começo engraçado!

Logo no princípio o que é que acontece? Chegada triunfal à Universidade Católica, sô pessor ao volante da sua mega bomba, que estaciona em estilo condizente, mesmo em frente à porta. "O sô pessor ainda conduz?", pergunta o senhor entrevistador. Pois pelos vistos conduz. Mas se calhar não devia…

Ora, até aqui nada de muito relevante haveria a assinalar, não se fosse dar o caso de a mega bomba do sô pessor se encontrar estacionada precisamente em cima de uma zona da estrada assinalada com um axadrezado amarelo canário, tal qual este que se pode observar aqui na figurinha. À grande, portantos.

Vamos lá então aqui a um bocadinho de serviço público. A zona em questão dá pelo nome pomposo de "cruzamento ou entroncamento facilmente congestionável" (*) e está normalmente associado a semáforos. O axadrezado amarelo canário demarca a dita zona onde o trânsito pode/costuma ficar congestionado, pelo que, mesmo que o semáforo fique verde, se fôr previsível que não se consegue sair dali a tempo, não se pode avançar. Isto porque, em cima daquilo, NÃO SE PODE PARAR, sob pena de ficar a empatar tudo e todos.

É verdade que o trânsito estava longe de estar congestionado. De facto, quase não havia trânsito – cá para mim aquilo foi gravado a um domingo e o sô pessor só lá foi para fazer bonito… Mas o Código é o Código! E "no cumprimento estrito e escrupuloso" do Código, já saía uma multita ao sô pessor! Ah já, já!

(*) Muito obrigada à Inês pela denominação exacta do axadrezado amarelo canário. Aqui fica assim provado que ter o Código da Estrada como livro de cabeceira sempre dá algum jeitinho!

2 Janeiro, 2006

tchim-tchim!

Posted in rambóia às 14:26 por catarinia

A um feliz ano novo!