16 Março, 2006

nunca falha!

Posted in musicalidades às 21:48 por catarinia

Seja no cinema, no teatro, num concerto ou na fila para o pão… não importa onde. A verdade é que o gajo mais alto da zona fica sempre à minha frente. É matemático.

Mais uma vez, ontem à noite tive oportunidade de testar esta regra mafarrica. Calhou-me herdar um convite para ir ver os Toranja no TMF. Chegando lá nem precisei de olhar para o bilhete, bastou-me procurar a cabeça mais proeminente da sala, que de certeza o meu lugar seria o de trás. E não é que era mesmo? Para compôr melhor o ramalhete, a cabeça mais proeminente coincide sempre com a que tem a cabeleira mais revolta e volumosa. E com a mais entusiasta e irrequieta. Ora, nem mais…

Ao intervalo, fartinha de tentar encontrar os primeiros senhores por entre um monte de caracóis que não páram, troco de lugar com o Amiguinho do lado. Com o campo de visão muito mais desafogado, até parecia que tinha crescido uns 30 cm! Eis se não quando… Pânico! Pânico! Fiquei cega! Metade do tempo há um estafermo de um holofote com uma luz branca, brilhante e extremamente agressiva, a apontar do palco direitinho aos meus olhos. Então mas eu fiz mal a alguém? Que raio de hora para pagar pelos meus pecados…

Ainda assim, e apesar dos azares de circunstância, foi muito bom. Intimista, como eu gosto. Com pouca gente, um som de qualidade e muita espontaneidade à mistura. E o que eu gosto destes senhores!

Fim (dias que passam)

Neste infinito fim que nos alcançou
guardo uma lágrima vinda do fundo
guardo um sorriso virado para o mundo
guardo um sonho que nunca chegou
Na minha casa de paredes caídas
penduro espelhos cor de prata
guardo reflexos do canto que mata
guardo uma arca de rimas perdidas

Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci…

No mundo onde tudo parece estar certo
guardo os defeitos que me atam ao chão
guardo muralhas feitas de cartão
guardo um olhar que parecia tão perto

Para o país do esquecer o nunca nascido
levo a espada e a armadura de ferro
levo o escudo e o cavalo negro
levo-te a ti… levo-te a ti para sempre comigo…

Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que senti
Falo ao mar do que nunca perdi.

Por trás do fim

Por trás do fim
Por trás de nós
Por trás de ti
Estamos só no que o dia quis deixar

Mais um tiro que marcou
Mais um grito que ficou
Põe o tempo a girar

Só queria estar bem aqui
Quando acabar vou querer ficar

Para quê ser mais alguém
Para quê fingir papéis
Se não vou viver de cor

Que é tão bom deixar andar
Deixar o tempo nos levar
Que eu não sei viver de cor…

Só queria estar bem aqui
Por acabar vou querer ficar

Já dançámos demais
Sorrimos demais
Vivemos demais
Agarrámos demais
Fugimos demais
Restou a saudade de ser… «demais»
demais,
demais,
demais…

Toranja (Esquissos, 2003)

4 comentários »

  1. Roma said,

    E queixas-te disso? É o mínimo que pode acontecer a quem dá dinheiro para ir ouvir esses assassinos da melodia! Eu cá só não fui porque não consegui orientar um cocktail-molotov a tempo, aí sim, sorria abertamente e com o rosto iluminado pelas chamas a imolarem esses tristes… Espero que não tenhas sido a única vítima, não mereces amiga!

  2. GNM said,

    Eu tb gosto!
    Vejo, pelo post anterior, que
    tiveste uma semaninha em cheio!!!

    Deixo-te um sorriso!

  3. catarina said,

    olha que tu.. tambem não conhecia o teu.. conhecia o site mas não o blog. Também vou dar um espreitadela de vez a vez.
    Beijos em código binário

  4. catarinia said,

    Oh Roma… Mas quanta raiva acumulada! Tristes, assassinos da melodia? E isto vindo de quem ouve aqueles senhores que esfregam as amígdalas com o microfone, enquanto tentam grunhir para o dito – e gosta? Tss-tss-tss… Mas fizeste bem em não ir: se não gosta, não estraga.
    E se te consola, não dei dinheiro, herdei um convite. E também não fui a única vítima, pelo menos do holofote. Quanto ao resto, do alto da minha minorquice não se pode esperar grande coisa…

    GNM, foi uma bela semana sim senhores, fartei-me de passear. E muito cultural.
    A propósito, que tal achaste o livrito? Já leste?
    Um sorriso é bom, melhor só se fossem dois. Por isso, de cada vez que cá passares, leva também um para ti! =)

    Pois, catarina… Já a minha Avó sempre disse que "pela boca morre o peixe". Pões-te a refilar dos teclados italianos por todo o lado e olha… Nhac!😉


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