10 Julho, 2006

não sei de amor senão

Posted in poetas e sonhadores às 23:56 por catarinia

Aqui há uns tempos, a RTP fez uma produção chamada Voz, em que em cada pequeno programa era declamado um poema com uma determinada envolvência de som e imagem.

Num desses programas foi lido um poema de Manuel Alegre de que gostei muito e que procurei por todo o lado sem o encontrar.
Até agora. Encontrei-o finalmente!

Não sei de amor senão

Não sei de amor senão o amor perdido
o amor que só se tem de nunca o ter
procuro em cada corpo o nunca tido
e é esse que não pára de doer.
Não sei de amor senão o amor ferido
de tanto te encontrar e te perder.

Não sei de amor senão o não ter tido
teu corpo que não cesso de perder
nem de outro modo sei se tem sentido
este amor que só vive de não ter
o teu corpo que é meu porque perdido
não sei de amor senão esse doer.

Não sei de amor senão esse perder
teu corpo tão sem ti e nunca tido
para sempre só meu de nunca o ter
teu corpo que me dói no corpo ferido
onde não deixou nunca de doer
não sei de amor senão o amor perdido.

Não sei de amor senão o sem sentido
deste amor que não morre por morrer
o teu corpo tão nu nunca despido
o teu corpo tão vivo de o perder
neste amor que só é de não ter sido
não sei de amor senão esse não ter.

Não sei de amor senão o não haver
amor que dure mais do que o nunca tido.
Há um corpo que não pára de doer
só esse é que não morre de tão perdido
só esse é sempre meu de nunca o ser
não sei de amor senão o amor ferido.

Não sei de amor senão o tempo ido
em que amor era amor de puro arder
tudo passa mas não o não ter tido
o teu corpo de ser e de não ser
só esse meu por nunca ter ardido
não sei de amor senão esse perder.

Cintilante na noite um corpo ferido
só nele de o não ter tido eu hei-de arder
não sei de amor senão amor perdido.

Manuel Alegre

9 comentários »

  1. GNM said,

    Não conhecia o poema!
    É realmente lindíssimo…

    Um beijinho grande para ti!

  2. Cientista said,

    É lindo… !

  3. catarinia said,

    Eu nem conheço muito da poesia de Manuel Alegre…
    Mas pela amostra junta, fiquei fã!🙂

    Beijo beijo!

  4. Marco Silva said,

    Já espreitaste Alberto Caeiro e Eugénio de Andrade.
    São verdadeiros mestres.
    Este do Manuel Alegre não conhecia, mas é muito bom.

  5. Cientista said,

    Fiquei mesmo apaixonada por este poema… L’amour, l’amour!!

  6. catarinia said,

    Já espreitei sim senhores, Marco. E concordo em absoluto!

    Eheheheh!🙂
    A mim aconteceu-me o mesmo, Cientista. Daí me ter fartado de o procurar… É mesmo muito bonito!

  7. João Miranda said,

    Obrigado, muito obrigado mesmo. Estava na mesma situação tu. Ouvi este poema nesse programa da RTP e adorei. Tambem o procurei por todo o lado e agora, graças a ti, encontrei-o finalmente.

  8. Pedro Costa said,

    Gostaria muito se possivel que fosses ao meu blog e visses o que lá está e se possivel pussesses um comentario,ajudava-me mesmo muito!!!
    Muito obrigado e parabens pelo teu blog!!!
    http://omeuunicoamorxana.blogspot.com/

  9. Martina said,

    muito giro o poema…alias…lindissimo…


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