3 Julho, 2007

MED wrap-up

Posted in musicalidades às 00:33 por catarinia

Quarto ano de Festival MED, quarto ano de romaria. E este ano, todos os dias! É engraçado assistir a este crescimento, não só no tempo, no espaço e na dimensão, mas sobretudo na qualidade. E foi mesmo muito bom!

Queria à partida ver três concertos: Sara Tavares, Tinariwen e Chambao. E se bem que não posso dizer que me desiludiram (mesmo apesar de a qualidade do som, em Chambao, não estar muito recomendável…) destes só os Tinariwen me deixaram plenamente satisfeita. Mais “a rockar” do que quando tocam cá em casa, mas também por isso, um grande, grande concerto! Bem acima das mais altas expectativas.

Mas ia eu dizer que não foram os concertos que me saltaram logo ao olho assim que vi o programa, os que mais me surpreenderam. Foram precisamente aqueles que não conhecia.

Adorei L’Ham de Foc. Tinham um conjunto de instrumentos impressionante não só pela variedade, mas sobretudo pela originalidade – muitos que nunca tinha sequer visto, outros, como o realejo, que só tinha visto em museus… – e com uma sonoridade linda, meio medieval, meio mística. E depois uma voz tão doce, tão suave… Foi um bocadinho de magia. E que pena, que pena! não ter visto o concerto todo…

Mas estava a começar o Vinicio Capossela na Matriz e a apresentação do programa prometia tanto, que lá fomos. Só que com um início tão barulhento, negro e agressivo, e uma companhia com pouca vontade de lhe dar mais que dez, quinze minutos de segundas oportunidades, voltámos para trás. Já sei que entretanto a onda mudou e acabou por ser muito bom, mas… Foi por isso que descobri os Olivetree.

Olivetree MED 2007
Olivetree no Festival MED 2007
(Foto do Blog do Festival)

E os Olivetree foram A Surpresa! Indescritível e absolutamente impressionante… tudo! A bateria, as percussões e sobretudo o didgeridoo. Como é que alguém consegue manter aquele ritmo de respiração, sempre na maior energia, sempre com o ritmo nos píncaros, durante bem mais de uma hora? E o resultado foi um palco do castelo completamente à pinha de uma massa de gente aos saltos, que não os queria deixar ir embora.

Eles dizem que são «um ‘inovador’ trio de grande energia na música de dança que mistura as influências latinas e afro-brasileiras com os sons anciãos do didgeridoo e os ritmos contemporâneos da tecnolândia para criar uma vibrante e fresca “dancemusic” caracterizada por tempos irregulares recheados de ataque e por saborosos grooves». E confirma-se: é fantástico, mesmo para quem nem é especial fã do género. Muito dançaram os meus dois pés esquerdos! E se consegui despertar a curiosidade em alguma das duas ou três pessoas que ainda me lêem, podem descobri-los passeando pelo site ou pelo myspace.

Mas apesar de a conversa já ir longa, ainda não acabou… Porque faltam os Bajofondo Tango Club. Confesso que a esta altura já esgotei o meu poder descritivo e só consigo dizer que foi brutal e que soube a pouco. Foi uma festa e queria mais. E queria ter conseguido chegar mais perto… A única coisa de que não gostei foi do banho de multidão. Não sei se por ter sido o último, mas este talvez tenha sido o concerto de que gostei mais. E assim se prova que não se entregam dois Óscares a qualquer um… Muito, muito bom.

Mas houve mais, muito mais! As ruas coloridas pelos toldos, pelas banquinhas de artesanato e pela exposição de pintura ao ar livre; o cheiro a incenso e a condimentos exóticos; as crianças todas com os penteados mais estapafúrdios, que descobrimos depois serem da responsabilidade do cabeleireiro grátis; jantar quase todos os dias ao som de caras conhecidas – finalmente ouvi os Jazz Ta Parta!; e, ainda que só por um dia, a companhia da Mamãe, que se aguentou heroicamente (quase) até ao fim!

Nanook no Festival MED 2007
Nanook no Festival MED 2007

E não podia acabar sem salientar a experiência como roadie & repórter fotográfica do Amiguinho Tércio (porque o título de Nanookette nº 1 não se ganha a brincar… eheheh!) que, já como Nanook, não se escapou de tocar o Fisherman’s Blues, pedido especial aqui da Amiguinha. Eu sei que não era propriamente um dia para versões, e que depois de todos os problemas com o som a vontade de descer do palco seria com certeza mais que muita… Mas eu gosto tanto desta! Muito obrigada! E de resto, nunca te tinha ouvido cantar originais em português e olha, gostei muito do .

Maneiras que foi assim. Este ano acabou, para o ano haverá mais. E pela amostra junta, espera-se que ainda melhor.

3 comentários »

  1. Catirinia:

    Obrigado – muito obrigado – pela «delícia» na referência ao Raízes e Antenas!!! E também partilho de todas as tuas opiniões – excepto no que se refere ao Nanook (mas só porque este ano não o vi… Mas vi-o o ano passado, em dose tripla – anos 70, 80 e 90, em muito bom!!! E falei dele no blog (lá nos confins dos arquivos). Foi pena não teres visto o resto do Vinicio Capossela: o homem é um génio!!!… E tens toda a razão em relação aos Tinariwen e aos Bajofondo… Grande festival!!

  2. Cientista said,

    Quem me dera ter ido… gostei do wrap-up, levaste-me lá, de algum modo🙂

    Beijo.

  3. catarinia said,

    Ora essa, António, nada que agradecer!
    O festival foi de facto muito bom, e assim não tenho tanta pena de não poder ir a Sines – já fiquei um bocadinho saciada. Poderei depois viajar até lá com o Raízes e Antenas, como aconteceu aqui com a Cientista

    Se te consegui levar lá Amiguinha, missão cumprida!😀


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