10 Dezembro, 2008

afinal, são três

Posted in causas às 23:53 por catarinia

Declaração Universal dos Direitos do Homem

Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Continuo a referir-me a aniversários. Este, a 10 de Dezembro de 1948. Que três dias tão interessantes.

Pena é que hoje, como ontem, tudo o que escrevi ali em baixo continua a ser verdade.

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9 Dezembro, 2008

Never Again

Posted in causas às 23:52 por catarinia

darfur_ai1Fotografia de Lynsey Addario, daqui

Em três dias, dois aniversários:

_a 11 de Dezembro de 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas emitiu a Resolução 96 (I) sobre o Crime de Genocídio, declarando que «O genocídio é um crime sob a lei internacional condenado pelo mundo civilizado» e afirmando que os seus perpetradores serão punidos à luz da mesma lei.

_a 9 de Dezembro de 1948, a mesma Assembleia aprovou a Resolução 260 A (III), a Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, onde se afirma que «As Partes Contratantes confirmam que o genocídio, seja cometido em tempo de paz ou em tempo de guerra, é um crime sob a lei internacional que se comprometem a prevenir e a punir».

Na altura, ainda no rescaldo da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, as palavras de ordem eram «Never Again».

No Darfur, o genocídio dura já há mais de seis anos. Milhares de pessoas – centenas de milhar de pessoas – foram já assassinadas, milhões amontoam-se em campos de refugiados no Darfur, Chade e na República Central Africana em condições cada vez mais degradantes. Mais de seis anos já passaram desde o início desta loucura e as Nações Unidas continuam sem conseguir por-lhe um fim: a prometida força de paz não só não foi enviada como acabou por ser reduzida a que já existia, os tímidos passos para acusar e julgar Omar al Bashir continuam ser ter resultados e, como se isto não bastasse, a ajuda humanitária não consegue chegar às pessoas que dela desesperadamente precisam, seja por cortes de financiamento, seja por bloqueio por parte das milícias e do governo sudanês.

E no meio desta insanidade estão as pessoas. As pessoas, que não fazem parte dos interesses políticos e económicos, que não fazem ideia por que razão esta barbaridade lhes entrou pela porta, que só querem sobreviver-lhe e voltar a uma existência normal e segura. As pessoas, a quem as Nações Unidas prometeram, há 60 anos, que «Nunca Mais» passariam por isto.

Para saber mais sobre o conflito e o (pouco, muito pouco!) que fazer para intervir:
_Save Darfur
_Crisis in Darfur, International Amnesty USA
_Eyes on Darfur, International Amnesty USA
_Genocide Emergency – United States Holocaust Memorial Museum

6 Dezembro, 2008

da primeira incursão na literatura escocesa

Posted in leituras, McCatherine às 01:06 por catarinia

Por serem companhia de peso – e a mala já estar suficientemente carregada para poder provocar uma hérnia discal ao carregador mais distraído – não vieram livros na bagagem. De maneira que me tornei na mais fiel vigilante da “Book Sharing Box” na cantina do Lab, onde encontrar um livro com ar apetitoso não é tarefa fácil: confesso que os critérios de selecção têm vindo progressivamente a decair, até chegar a um resignado “pode ser este, que é a única capa que não tem a gravura de um casal apaixonado com uma ilha ou um por do sol ao fundo”. Não tenho lido nada de jeito, portanto.

Até encontrar este aqui em baixo, que o Amiguinho resolveu esconder no gabinete “para levar quando tiver tempo”:

thesopranos

«The choir from Our Lady of Perpetual Succour School for Girls is being bussed from the Port to the national singing finals in the big, big city. And it’s an important day for the Sopranos: Orla, Kylah, (Ra)Chell, Manda and Fionnula (the Cooler) – pub-crawling, shoplifting and body-piercing being the top priorities. Then it’s time to lose that competition – lose, because a nuclear sub has just anchored in the bay and, tonight, the Mantrap disco will be full of submariners on shore-leave. There is no time for delays… but after the fifth bottle of alco-pop up the back of the bus it’s clear all is not going to go to plan, for anyone. The Sopranos are never going to be the same.»

The Sopranos, Alan Warner, 1998.

Demorei um bocadinho a entrar na história – não costumo ter dificuldades com o inglês, mas ler em “escocês” é um campeonato muito mais à frente! – mas depressa passei à fase em que não consigo parar de ler. Ainda vou a pouco mais de meio (o livro é grandote) e estou verdadeiramente entusiasmada. Não tanto pela história, que basicamente está na sinopse – depois de saber de que se trata, o enredo até agora não tem sido propriamente surpreendente – mas pela forma. Elas são adolescentes, transpiram hormonas e irreverência, e fazem todas as loucuras que se espera que façam no contexto em que estão inseridas. E ainda mais algumas. E tudo isso é retratado da forma mais genuína, mais crua e sem ponta de moralismo – de tal maneira que podiam ter sido elas a escrever o livro. É isso que o torna especial.

Diálogo num pub, bem regado a Sambucas, depois de convencerem o barman a emprestar-lhes o telefone “só para clientes especiais” (o estabelecimento tinha desistido do telefone público após vários incidentes destrutivos) para a Kylah ligar para a terra a dizer que queria sair da banda (com o barman a fazer o papel de novo manager), para poderem gastar o dinheiro que os moços tinham enviado à capital destinado a comprar CDs raros e especiais:

Kylah burst out with the greeting.
Kylah! Cmon.
Oh. Poor lassie.
Ah shouldnie ah done that.
Ach. Away. That’s way it goes, lassie.
Here, here, says one in the brown jacket waving about a hankie.
Nah nah, yur okay there, warned Chell and leaned her mouth into the hair, down the side, Kylah’s face, Yur fucking up your make-up baby, she whisper-whispered.
Kylah nodded, snuffled.
It’s me usually does the crying Kylah, Chell had an arm round now.
Ah know. Ah know, Kylah wiped her snozzle on back her hand then goes, Crazy ah’ve grat an here’s you, here’s you wi your real daddy away lost an yur big sister married to yon looney and here’s me all hetupness bout bugger all, she tried to do a big smile, teeth so white cause her face was red, but she guffed out a big sob again.
Chell drew back a fraction’n hushed, Here, yur gonna set me off, she smiled, a bit.
…An Orla nearly died an ahm sat here like a big, bubbly baby.
Don’t worry Kylah, we’ll give them the money back.
Kylah’s voice came clearer, a bit louder, Y’know fine we’ll splash out the lot. She guttered a big sob again.
You could see Chell’s eyes starting to go know.
Oh, ahm sorry ah mentioned your dad, it just came into ma mind.
Ach no, it’s just. Is it the boys you are crying about?
Kylah almost shouted it out, Aye!
You’re no at fancying one are you?
Don’t really make me cry! Ah mean ah had it off wi them but, och, just to get it over wi. The way you just know fancying are building up, an they were all over me, so’s ah thought, what boys are like, suck of ma tits an they’ll go back to fancying Courtney Love or that; yon Mazzy Start girl wi no voice.
Chell went, Aye well, least they were getting it from someone wi a good voice.
Aye, this is it, Kylah nodded, Ah mean ah never (she dropped to a whisper-whisper voice), never shagged them… it’s just. An here you could see she was as to about resuming wi bursting out at the greets.
Whaaat?
It’s just as a band.
What?
They’re so fucking shite. Ahm greeting cause ah feel sorry for them cause they’re so crap.
Oh.
What are we gonna do? Ah need to do ma make-up now.
The two girls looked at each other.
Chell says, Bestest find some place wi decentish toilets, eh?
Then what; get up this Pill place; wonder where Fionnula’s got to, eh? Kylah rubbed her eyes lightly on back of her hand to check for make-up then pinched and tugged down the sleeve of her T-shirt and wi head leaned to one side, rubbed one her cheeks on it.
We go straight there?
Both girls looked each other in the face an says… same time: French Connection!

The Sopranos, Alan Warner, 1998.

Estas amigas dão toda uma nova perspectiva à expressão “meninas do coro”, e são deliciosas! E agora quem percebeu tudo à primeira, pode candidatar-se a um rabeçado.

3 Dezembro, 2008

actualizado e arrumado, como se quer

Posted in blogosfera às 00:58 por catarinia

A propósito do último post, decidi-me finalmente a dar uma volta ao blogroll aqui do berloque que, desde que me converti ao Google Reader, andava praticamente ao abandono. Maneiras que agora, sim senhores, está ali uma coisa em condições e com arrumação.

Alguns dos links ainda vão dar a blogues que já não têm actividade há muito tempo, mas não foi porque me escaparam. É que gostei tanto que não me apeteceu apagá-los: ainda que sem actividade os arquivos estão lá, e há sempre a esperança que um dia voltem.

Agora é clicar e ir andando, que eles são como as cerejas.

1 Dezembro, 2008

o desafio e o prémio

Posted in blogosfera às 10:58 por catarinia

A Cientista passou-me mais um desafio dos giros. Desta vez, é o de escolher uma banda ou um artista e responder a 10 perguntas apenas com nomes de temas do dito.

E agora quem pensou “ela vai escolher o Jorge Palma, de certezinha!” ponha o dedo no ar!

Confesso que assim que vi as perguntas comecei imediatamente a responder-lhes com temas do Mestre. catarinia pá, que coisa mais previsível… Por isso, depois de repor o meu soninho tanto quanto seria humanamente possível (ou se calhar não, eu sou sempre capaz de mais um bocadinho!): ladies and gentlemen, I present to you Mr. Tom Waits.

1. És homem ou mulher? Better off without a wife
2. Descreve-te. I don’t wanna grow up
3. O que as pessoas acham de ti? Big in Japan
4. Como descreves o teu último relacionamento? Little trip to Heaven (on the wings of your love)
5. Descreve o estado actual da tua relação. Starving in the belly of a whale
6. Onde querias estar agora? I wish I was in New Orleans
7. O que pensas a respeito do amor? What keeps mankind alive
8. Como é a tua vida? New coat of paint
9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Sea of Love
10. Escreve uma frase sábia. God’s away on business

E como já é meu costume eu não passo o desafio a ninguém em particular, mas se alguém se sentir inspirado, é deixar uma notinha aqui nos comentários que eu depois vou espreitar.

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Para além do desafio, tinha também à minha espera um prémio. O Joaquim Baptista, do Por Terras do Rei Wamba e quase conterrâneo, atribuiu-me o Prémio Dardos, que é este aqui em baixo.

dardos

Não sabendo exactamente do que se tratava, depois de pesquisar um bocadinho e de encontrar várias definições parece-me que a mais concensual é a de que com o Prémio Dardos «se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web».

Pois eu não sei exactamente se o mereço – parece-me muita responsabilidade – mas agradeço a distinção. Agora a parte de ter que nomear 15 outros blogues (poça, logo 15!) é que me parece assim um exercício bastante exaustivo, ainda para mais dados os requisitos do prémio. Ali do lado direito está a lista, mais ou menos actualizada, dos blogues que mais gosto e visito – alguns por transmitirem os valores que o prémio distingue, outros exactamente por não terem nada disso e/ou serem completamente nonsense. E o facto de estarem ali é a minha forma de reconhecimento.

De qualquer maneira, e pensando nos requisitos todos juntos, há dois blogues que me vieram imediatamente à ideia, e embora completamente diferentes, parecem-me reunir todas as características. São eles O Parente da Refóias e o Há Vida em Markl. Podem ser só estes dois?

de volta

Posted in McCatherine às 10:30 por catarinia

Foi uma experiência fantástica, mas estou felicíssima por estar de volta a uma cama que não se mexe – e se a tenho usado nestes últimos dias! A avaliação de stocks é demasiado cansativa para ser divertida, e ainda assim, conseguiu sê-lo.

Passámos por mau tempo, muito mau tempo, tempo ainda pior e esteve mais ou menos mau tempo, curiosamente, nos dois dias em que parámos (a Lei de Murphy, essa querida!). Em resposta à Dora nos comentários ali de baixo, enjoa-se pois – mas a questão que importa é “então e tu, catarinia? enjoaste?” E eu que não, não enjoei não senhores e estou muito orgulhosa desta minha pequena vitória pessoal!

De resto, ficaram-me algumas impressões, para começar nos joelhos (das negras e doridas) na tentativa – devo dizer que maioritariamente falhada – de me manter sossegada na cama e dormir qualquer coisinha. E tomar um simples duche pode ser uma experiência surreal, se o mar estiver doido e o champô estiver nos olhos.

Vi um Bacalhau vivo pela primeira vez (e não, não é nada parecido com aquele triângulo amarelo que aparece nos supermercados). Distinguir um Norway Pout de um Poor Cod é um acto de fé – não se deixem enganar pelas fotografias no FishBase, os bichos são iguais! Especialmente quando vêm ao milhares. E encontrar os ínfimos otólitos de uma Cavala é um acto de sorte – “mas aqui, onde?! não está cá nada, caneco!” digo eu depois de transformar o cérebro do bicho em picadinho.

Belfast foi o porto; as lojas do centro da cidade para repor o stock de gulodices para a segunda metade da viagem; meia dúzia de pubs (e o correspondente número de pints várias, que marinheiro que se preze não anda a passear para se enriquecer culturalmente) e depois de descoberto o favorito – cujo requisito foi apresentar um menu considerável de cocktails para as ladies, excepcionalmente em maioria – margaritas de todos os sabores.

As principais fontes de entretenimento a bordo foram uma quantidade impressionante de musicais, uma quantidade ainda mais impressionante de discos de karaoke (sim, exercitei esta minha voz de rouxinol sem que ninguém tentasse saltar borda fora) e, para defesa de honra, a revisão de toda a terceira série do The Office – tudo cortesia de um mar enraivecido.

E pronto, mal demos por isso (mentira! já estava a contar os dias para um sono sossegadinho…) estávamos de volta, para sermos recebidos pelo primeiro grande nevão do ano já completamente derretido, e por um concerto de Ladytron bastante catita – o que, numa cidade em geral culturalmente morta, é até bastante notável.

Como disse logo ao princípio, a experiência foi fantástica e tenho todo o gosto em repetir. Mas da próxima vez têm de me pagar, tenham lá paciência!