1 Abril, 2009

McCatherine goes Highlander

Posted in McCatherine às 01:16 por catarinia

Ruinas do Ardvereck Castle, Loch Assynt

Ruinas do Ardvereck Castle, Loch Assynt

Na semana passada fui fazer amostragem em lota. A primeira ideia que surge quando se fala em ir para o mercado, é o frio: horas e horas num frigorífico, enfiada num fato teletubby e com dois blocos de gelo no lugar dos pés (e das mãos, das orelhas, do nariz…). Depois é o peixe e a sua fragrância pestilenta, que se entranha e nos persegue para onde quer vamos (e que acaba por incomodar muito mais quem nos rodeia – é uma boa maneira de arranjar uma cadeira e muito espaço à volta!). E por fim, é Peterhead: já aqui ao lado a pouco mais de meia hora de caminho e não particularmente interessante.

Perante isto é quase estranho que eu estivesse tão entusiasmada – mas estava!

Então e calhou-me isto tudo? Calhou sim senhores – também. Porque também me calhou uma viagem lindíssima! Mudança de planos à última hora: afinal vamos começar a semana na costa Oeste – importas-te? Importar-me, eu?! Claro que não!

Maneiras que saímos de Aberdeen na segunda-feira de manhãzinha, eu e o fishy partner, rumo a Kinlochbervie, na ponta mais a Noroeste da Escócia. Finalmente, as Highlands a sério! As inóspitas, agrestes e impressionantes terras do Norte. Uma sucessão de montes de picos nevados, completamente despidos e envoltos na bruma, serpenteados de água por todos os lados.

"Out here, every tree is a loner" (Owen Goudie)

"Out here every tree is a loner" (Owen Goudie)

Fizemos o caminho a lutar contra uma ventania medonha e debaixo de nevoeiro, chuva, granizo e a ocasional janelinha de sol. Só faltou o highlander gigante e barbudo, embrulhado em tartan e a tocar gaita de foles em cima de um monte, para o cenário estar completo e parecer saído de um filme.

Mas não, as pessoas não são as principais habitantes destas paragens – acredito que também muito devido às condições naturais, mas principalmente por razões históricas: a dada altura as pessoas foram simplesmente expulsas da terra e substituídas por ovelhas, nas chamadas Highland Clearances. Kilómetros e kilómetros sem se ver vivalma, mas ovelhas há-as por todo o lado.

Chegados finalmente a Kinlochbervie (e depois de devidamente alimentados, não me podia ter calhado melhor parceiro!) o meu primeiro contacto com uma lota escocesa, onde dois cientistas se movimentam à vontade para medir e retirar otólitos ao peixinho, e um sósia do David Attenborough (de chapéu à explorador e tudo!) faz o leilão como deve de ser – a subir. E aos berros.

Depois de um serão à conversa à volta da lareira e de uma Guinness, no dia seguinte fizémos o caminho de volta. Com menos pressa, menos vento e menos chuva, fomos parando para apreciar a paisagem. Não se vê ninguém, não se ouve nada, é uma sensação verdadeiramente impressionante. Depois de uma curva aparece Ullapool, um aglomerado de casinhas brancas e mastros de barquitos à beira do Loch Broom, pequeno reduto de civilização no meio de nenhures. E um bocadinho mais à frente, fazemos um desvio e descemos ao Corrieshalloch Gorge e às Falls of Measach, uma queda de água de 46 metros que cortou a montanha como uma faca – aqui, o barulho é ensurdecedor!

Corrieshalloch Gorge e Falls of Measach

Corrieshalloch Gorge e Falls of Measach

De volta à estrada e ao caminho para o trabalho, a próxima paragem foi mesmo Peterhead que, confirma-se, não tem grande interesse: cidadezinha pequenita e feiosa que vive à volta do porto de pesca e do mercado de peixe – ou então fomos só nós, o que também é possível. Ainda fomos um dia até Fraserburgh – aplicar aqui a mesma descrição, mas adicionar um bocadinho mais de pequenita e uma quantidade razoável de feiosa – para amostrar vieiras, mas basicamente o resto da semana foi passado no mercado entre o peixe e no escritório entre os otólitos. No entanto, duas coisas importantes a assinalar: vi um bacalhau do meu tamanho e vários com mais de um metro, o que me deixou profundamente triste – bichos deste tamanho não se deviam deixar pescar; e vi, finalmente, as focas – começava a pensar que me tinham mandado numa caça ao haggis, mas não. Elas existem mesmo!

E continuo a achar que, saindo de Aberdeen, a Escócia é um país lindíssimo.

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