25 Novembro, 2006

o homem que plantava árvores

Posted in cinematógrafo, leituras às 02:19 por catarinia

Frédéric Back - L'homme qui plantait des arbres

“Para que o carácter de um ser humano revele qualidades realmente excepcionais, é preciso ter a sorte de poder observar as suas acções ao longo de muitos anos. Se tais acções são desprovidas de todo o egoísmo, se o ideial que as dirige é de uma generosidade ímpar, se é absolutamente certo que não procuraram qualquer recompensa e se, além disso, deixaram marcas visíveis no mundo, estamos então, sem sombra de dúvida, perante um carácter inesquecível.”

Jean Giono

Hoje vi um filme lindo. Assim, sem estar à espera, numa formação de ecoturismo que estou a fazer.

É uma animação maravilhosa sobre a simplicidade, a persistência, a generosidade. E sobre como os actos de uma pessoa, ainda que isolados, podem fazer a diferença e mudar o mundo à sua volta.

Chama-se “O Homem Que Plantava Árvores” e é a história de um senhor muito peculiar, o pastor Elzéard Bouffier, contada por Jean Giono. A animação, lindíssima, é de Frédéric Back.

Não vou dizer mais, a não ser que vale muito a pena. É um conto pequenino, de seis páginas, que se pode ler na versão original, em francês; numa muito boa tradução para inglês; ou numa não tão boa tradução para português do Brasil. E sem culpas, já que o senhor resolveu doar os direitos de autor para que o conto fosse distribuido livremente.

Já o filme descobri-o no Google Video, aqui. Um pequenino bombom, já que merece ser visto com toda a qualidade possível.

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25 Agosto, 2006

que miséria…

Posted in cinematógrafo às 22:38 por catarinia

_Então e se eu hoje fosse ao cinema? Deixa cá ver se consigo encontrar por aqui…

Sonhar com Xangai
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Pois, era de esperar. Então e…

As Filhas do Botânico
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Também não? Pronto, OK, nada de cinema oriental. Talvez uma coisa menos alternativa…

Os Amantes Regulares
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_Ai…

A Vida Secreta das Palavras
SBC-International Cinemas, Sala 7, 16h05
_Só uma sessão e às 4 da tarde? Mas está tudo doido? Pronto, pronto… Toca a ceder ao mediatismo, um dos próximos tenho que conseguir ver em ALGUM lado!

Mozart e a Baleia
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_O quê??? Será possível, nem uma estreia?

Separados de Fresco
Este filme não se encontra em exibição no seu distrito
_DESISTO! Parece que é impossível ver um filme decente e nem é só em Faro, é no distrito inteiro… Louro, salta aqui para o meu ombro. E traz a pála para o olho e a perna de pau, vamos ver um filme em 15 polegadas. PIRATA!

6 Dezembro, 2005

alice

Posted in cinematógrafo às 17:23 por catarinia

O Cine Clube de Faro fez ontem uma projecção do Alice, seguida de uma conversa com o realizador, Marco Martins.

Interessava-me na história de "Alice" explorar sobretudo a obsessão. Alguém que perde uma filha e que, sentido-se impotente para agir, cria um sistema paralelo de funcionamento, exterior à sociedade em que vive.

Quando, à noite de regresso a casa, vemos os vídeos de Mário e toda aquela multidão anónima, em movimento continuo, já não sabemos se aquelas imagens são reais se apenas existem na cabeça de Mário.

Um rosto igual a outro rosto, uma rua igual a outra rua, um dia igual a outro dia.

A cidade como local de abstracção onde, alguém como Mário, pode estar profundamente isolado. Na procura de Alice, Mário conhece outras personagens, também elas, de alguma forma, sozinhas também elas isoladas na cidade onde vivem.

"Alice" é sobretudo um filme sobre a ausência. Uma história de amor de um pai por uma filha.

(Marco Martins)

Depois do tanto que já se disse e escreveu sobre o filme, que poderei eu acrescentar? É tudo verdade: o filme é forte, é perturbador, é angustiante. A rotina, a repetição, a solidão no meio da multidão está patente do princípio ao fim, na vida rotineira e mecânica da cidade de todos os dias.

Na cidade onde, durante as filmagens, apenas 20 ou 30 pessoas receberam o apelo de um pai em desespero pelo desaparecimento da filha – e estas, e só estas, ficaram a saber que estavam a participar de um argumento. Para mim, foi isto o mais impressionante, exactamente por não fazer parte do guião: uma multidão a olhar para dentro, alheia a tudo à volta. Desumanizada.

Por tudo isto e por muito mais, o filme é mesmo muito bom. E é português.

11 Novembro, 2005

song of childhood

Posted in cinematógrafo às 14:56 por catarinia

Ainda As Asas do Desejo

Song of Childhood
By Peter Handke


When the child was a child
It walked with its arms swinging,
wanted the brook to be a river,
the river to be a torrent,
and this puddle to be the sea.

When the child was a child,
it didn’t know that it was a child,
everything was soulful,
and all souls were one.

When the child was a child,
it had no opinion about anything,
had no habits,
it often sat cross-legged,
took off running,
had a cowlick in its hair,
and made no faces when photographed.

When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?

When the child was a child,
It choked on spinach, on peas, on rice pudding,
and on steamed cauliflower,
and eats all of those now, and not just because it has to.

When the child was a child,
it awoke once in a strange bed,
and now does so again and again.
Many people, then, seemed beautiful,
and now only a few do, by sheer luck.

It had visualized a clear image of Paradise,
and now can at most guess,
could not conceive of nothingness,
and shudders today at the thought.

When the child was a child,
It played with enthusiasm,
and, now, has just as much excitement as then,
but only when it concerns its work.

When the child was a child,
It was enough for it to eat an apple, …bread,
And so it is even now.

When the child was a child,
Berries filled its hand as only berries do,
and do even now,
Fresh walnuts made its tongue raw,
and do even now,
it had, on every mountaintop,
the longing for a higher mountain yet,
and in every city,
the longing for an even greater city,
and that is still so,
It reached for cherries in topmost branches of trees
with an elation it still has today,
has a shyness in front of strangers,
and has that even now.
It awaited the first snow,
And waits that way even now.

When the child was a child,
It threw a stick like a lance against a tree,
And it quivers there still today.

Agora começa a segunda epopeia… A procura do Tão Longe, Tão Perto

um poema em forma de filme

Posted in cinematógrafo às 14:44 por catarinia


As Asas do Desejo, de Wim Wenders (1987)

Um poema sobre a existência humana. Sobre os pequenos prazeres da vida. Sobre o amor e o desejo de amar.

Já alguma vez te sentiste verdadeiramente ligado a um outro ser?

17 Novembro, 2004

diarios de motocicleta

Posted in cinematógrafo às 14:24 por catarinia

Ontem fui ver “Diarios de Motocicleta” e saí do cinema com uma sensação de leveza enorme.

Eu adoro viajar. Não tanto o viajar de turista, mas conhecer realmente os lugares, as culturas. Simplesmente ir andando, perder-me pelas ruas onde as pessoas andam todos os dias, perceber como vivem. Ou tomar consciência da grandiosidade da Natureza e sentir-me pequenina.

Deste ponto de vista, sendo o retrato de uma viagem – a minha viagem de sonho, não necessariamente pelo percurso, mas pelo conceito de viagem em si – e ainda por cima com uma fotografia maravilhosa, só podia ter adorado o filme.

Mas não é só a imagem que é bonita, a mensagem também o é. Ainda mais porque se trata de um documento histórico “sobre duas vidas que, por um tempo, correram paralelas”, sendo que uma delas foi a de Ernesto Guevara de la Serna. Não o ícone, o mito sobrexplorado em que se tornou a figura do “Che”. Apenas um rapaz em viagem, à descoberta, do Mundo e de si próprio.

Muito para além disso este é, acima de tudo, um filme sobre a pureza: a pureza do sonho, do idealismo. Por um bocadinho, fez renascer em mim a ingenuidade e soube-me bem.

26 Outubro, 2004

balseros

Posted in cinematógrafo às 04:08 por catarinia

Esta semana o Cineclube de Faro está a passar uma extensão do DocLisboa – Festival Internacional de Documentário de Lisboa. Hoje a programação foi composta pelo Cyber Palestine, do Elia Suleiman; e pelo Balseros, de Carles Bosch e Josep Maria Domènech (a programação para o resto da semana pode ser consultada no site do CCF).

Se o primeiro não me cativou minimamente, achei o segundo absolutamente fenomenal! Começa o relato em 1994, nos piores bairros de La Havana, na altura em que Cuba deixou de impedir a saída das balsas, e acompanha a impressionante aventura de uma série de pessoas que decidiram sair. Desde a construção das balsas com tudo o que pudessem arrebanhar e que eventualmente flutuasse, as motivações, as espectativas, os sonhos e a agonia das famílias na hora da partida. O resgate pela Guarda Costeira americana, a estadia no campo de Guantánamo, até que finalmente chega o visto para a emigração. A chegada ao "american dream", o reencontro com a família do outro lado, o deslumbramento, o começo de uma vida nova, numa realidade também ela nova e completamente desconhecida. Alguns meses depois, como estão. E cinco anos depois, como estão. E as famílias, como ficaram.

A certa altura, à chegada, há um familiar já a viver nos Estados Unidos que diz qualquer coisa como: «É natural que ao princípio não compreendas, mas com o tempo vais começar a perceber este mundo capitalista. És tu que tens que resolver os teus problemas. Primeiro estás tu, e só depois estão os outros. Mas como tens problemas todos os dias, não tens tempo para pensar nos problemas dos outros.»

Retrato feínho, este. Mas infelizmente, tão verdadeiro…

21 Agosto, 2004

não fui logo a correr, mas já fui

Posted in cinematógrafo às 04:55 por catarinia

Ontem fui ver o Fahrenheit 9/11. Digamos que, de certa forma, ficou aquém das minhas espectativas. A minha própria teoria da conspiração é bastante mais arrojada: a mim ninguém me tira da ideia que a ameaça de um ataque terrorista aos EUA não foi ignorada por negligência, como é sugerido por Mr. Moore, mas sim propositadamente. Eles que venham, que o Mr. President precisa de posar de herói salvador da pátria e fazer com que toda a gente se esqueça de que não foi realmente eleito, e pelo caminho ainda aproveita para aumentar o pecúlio familiar. Perante o início do filme, pensei seriamente que essa seria a teoria apresentada. Mas se até para mim é aterrador pensar nisso, imagino que para um americano, mesmo que abomine a criatura, seja completamente impensável que o próprio presidente abra deliberadamente as portas do país a um ataque terrorista. E fica-se pela teoria dos 42% do tempo em férias, da inactividade, da negligência, que se juntarmos a todas aquelas ligações mais que duvidosas, é já por si só motivo de uma bela temporada nos piores calabouços. Para além de tudo o mais que é impressionante – e que é quase tudo – a facilidade com que todos aqueles factos são apresentados é absolutamente inacreditável. Como se estivessem ali à mão de semear, para quem quiser ver e juntar as peças. À cara podre, sem o mínimo de vergonha. É a arquitectura da conspiração posta a descoberto, de uma forma quase genial.

E digo quase, porque depois há o recurso ao populismo fácil, com a sobrexploração do sofrimento das famílias dos soldados mortos no Iraque, personificado numa determinada mãe. Não querendo também subestimar o sofrimento daquela família em particular, e das outras centenas de famílias na mesma situação, mas pareceu-me excessivo, dispensável, e não estava à espera deste tipo de abordagem . Podia até ter saído de um telejornal da TVI.

De resto, impressionou-me especialmente a forma como os miúdos são recrutados para as forças armadas – nos bairros mais pobres, onde as pessoas têm poucas ou nenhumas alternativas, na cantina da escola, no parque de estacionamento do centro comercial, são aliciados de todas as formas possíveis e imaginárias, por dois senhores para quem a melhor definição será “vendedores de banha da cobra”. Bem parecidos, bem fardados e bem engomados, com cartãozinho de visita: “Vem para os marines e poderás ser o que quiseres”. Até carne para canhão.

Não posso dizer que fiquei estupefacta com o filme, muitas das coisas não foram sequer novidade. Mas uma coisa é ir recebendo a informação dispersa, ir juntando peças, dissertar sobre um assunto que parece que nos afecta tão remotamente. Outra coisa é assistir, ver pessoas com anos luz de informação a mais, completamente dentro das questões, confirmar as nossas teorias, as nossas dissertações filosóficas, e tomar consciência da aldeola global, de como tudo e todos estamos tão intimamente ligados e sujeitos às conspirações e orquestrações de meia dúzia de alucinados.

Tenho também a consciência de que todo o filme é apresentado de uma forma absolutamente parcial, tendenciosa, manipuladora até, e com o propósito muito específico de fazer campanha anti-Bush. Não que ele precise que alguém a faça por ele, a verdade é que o senhor trata disso muito bem sozinho. Mas pronto, há que admitir que neste caso sou completamente manipulável. Saí do cinema com vontade de ir queimar soutiens para a frente da Casa Branca.

24 Maio, 2004

e temos vencedor!

Posted in cinematógrafo às 02:59 por catarinia

Tenho continuado a explorar o site do Michael Moore e não pára de me surpreender. Está mesmo muito bom. E o seu Fahrenheit 9/11 ganhou a Palma de Ouro do Festivel de Cannes. Parece que foi o primeiro documentário a ganhar este prémio desde 1956, ano de O Mundo Silencioso do Jacques Cousteau, outro grande senhor que merece toda a consideração. Pois então, muitos parabéns!

19 Maio, 2004

por falar em filme…

Posted in cinematógrafo às 00:15 por catarinia

Este de certeza muito mais interessante que o do esquentador. Hoje não se fala noutra coisa senão do Fahrenheit 9/11, do Michael Moore. Quer dizer, também se fala muito no casamento real espanhol, mas disso já se fala há tanto tempo, que eu faço questão de não ouvir.
Bem, mas fui dar uma espreitadela à página do senhor, e só de ler sobre o filme, fiquei cheia de vontade de ir a correr ver. Agora, já! Mas não pode ser, é pena. Será que ainda vamos ter de esperar muito?
Uma coisa muito boa dos Estados Unidos é que o mau é tão mau, mas tão mau, que de vez em quando induz o genial. E até parece que após longa ponderação, o genial vai passar no circuito comercial dos cinemas, lá mesmo, nos States! Eheheheh…