06.30.08

a praia já aqui ao lado

Publicado em McCatherine às 00:56 por catarinia

Praia de Aberdeen

Manhã linda e solarenga às portas do círculo polar! Fomos a um passeio pela praia - que é já aqui a 5 minutos - e chegámos a Footdee (ou Fittie), uma mini-aldeia que, ao que parece, representa o último reduto da pesca tradicional em Aberdeen. E é uma delícia, vale a pena ir espreitar umas fotografias aqui e aqui - eu não tirei, porque afinal trata-se das casas das pessoas… mas ainda sou capaz de perder a vergonha e voltar lá, para fotografar as maiores e mais bonitas papoilas que alguma vez já vi!

À volta ficámos a desfrutar do sol numa esplanada, em frente a um “espresso” para a Patrícia e um “hot chocolate” para mim. Nenhum prestava, mas a parte importante aqui era o sol! Já cá estou há precisamente uma semana, e só houve um dia sem chuva - que não foi hoje. Pouco depois de chegarmos a casa, desatou a chover a tarde toda.

Eu não sei se terá ficado claro, mas quando mencionei ser uma menina nascida para os trópicos, não me estava a referir à chuva - era mais ao calor e à praia o ano todo.

06.26.08

McCatherine reporting from the North

Publicado em McCatherine às 01:26 por catarinia

Cheguei!
Consegui resistir ao choque térmico - 40ºC às 12h30 em Faro, 9ºC às 16h em Aberdeen.
Amiguinhos!!! Muitas saudades, beijos, abraços apertados.
Conversa, conversa, conversa… E moscatel. E jantarinho de nível.
Depois frio, frio, frio e chuva, chuva, chuva até ao Stadia, para uma pint e jogo da bola - e novos amigos, italianos, que voltaram para casa tristes.
E de regresso, encontramos uma cara conhecida na paragem do autocarro - isto só depois de meia dúzia de horas na cidade, faz qualquer um sentir-se em casa.
O Rui e a Patrícia têm o melhor sofá-cama do mundo!

O laboratório é muuuuuito longe… Mas chega-se lá a pé (também se chega de autocarro, mas assim sempre faço exercício; ou: o autocarro é uma roubalheira).

O chefe é a simpatia em pessoa, e parece ter passado o último mês (o mesmo em que eu arranquei os cabelos em desespero com a papelada e a burocracia e os problemas com a bolsa) a preparar calmamente a minha chegada. E estava tudo pronto, até a vista para o mar!

Tive a primeira reunião de trabalho e foi surreal - já foi há dois dias e ainda tenho o sorriso colado às orelhas.

Já fui a bordo do Scotia. É verdade que estava no porto e foi só de visita, mas tenho esperança de voltar para um cruzeiro. Toda a gente diz que é muito possível, e aqui eu acredito.

Ir sentada no lugar do pendura é estranhíssimo. Só me falta esticar as mãozinhas e agarrar na atmosfera, à espera de encontrar um volante.

E o tempo tem passado a correr - quanto mais não seja para fugir da chuva, que todo o santo dia cai nesta terra como se não houvesse amanhã. E do frio, senhores, do frio… Os nativos dizem que isto é Verão, nem quero pensar como será o Inverno - e eu uma mocinha nascida para o clima tropical!

Amanhã é late night shopping. Vou investir num impermeável - mas em bom.

05.04.08

poema à Mãe

Publicado em poetas e sonhadores às 23:54 por catarinia

No mais fundo de ti,
eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade
«Os Amantes Sem Dinheiro», 1950

04.15.08

Conceito em permanente evolução

Publicado em amiguinhos às 09:09 por catarinia

Já fizemos trabalhos individuais em modo de grupo;

Já fizemos trabalhos de grupo em modo “tudo fala e ninguém se entende”;

Já fizemos trabalhos de grupo em modo contínuo: uns durante o dia, outros durante a noite;

Já fizemos trabalhos de grupo em modo de desespero;

Já fizemos trabalhos de grupo em modo “é para ontem”;

Esta noite fizemos trabalho de grupo em modo tele-conferência: um no barco, à pesca, algures no mar; o outro em casa, em frente ao computador. Um dá a ideia, o outro começa o boneco. Um faz o discurso, o outro desmonta metade. O primeiro reformula o discurso, o outro torna-o perceptível. Um volta para a pesca, o outro acaba o boneco. E no fim, tá feito!

É um pássaro? É um avião? É o Super-Homem? Não!!!

É Amiguinho & Amiguinha, a mais eficiente equipa de gestão de crise de toooooodo o Universo!

04.10.08

6 factos inúteis

Publicado em blogosfera às 16:19 por catarinia

Então antes de mais, uma palavrinha para os comentários que fui deixando sem resposta - que ainda são alguns, dado o estado de ostracismo aqui do berloque! - para dizer que pelo facto de não ter respondido, não quer dizer que não tenha lido e apreciado, OK? E os atrasadíssimos obrigados por todas as felicitações!

E posto isto, passemos ao desafio: o “alter-ego crafty” da Amiguinha Cientista desafiou-me a partilhar 6 factos inúteis acerca da minha pessoa. O que, convenhamos, é coisa difícil. Não que não haja factos inúteis no meu quotidiano - que os há, com toda a certeza! - o difícil é eles ocorrerem-me. E depois ainda há a questão de avaliar sobre a sua utilidade/inutilidade.

Por exemplo, nunca é demais relembrar que não vale a pena convidar-me para um petisco de couves de bruxelas (odeio! até o cheiro me enjoa). Muito menos se o bichinho lá de casa for uma cobra - ao mais pequeno vislumbre da criatura, eu eclipso-me. E vão dois factos perfeitamente inúteis - e no entanto de extrema importância para mim.

E falando em cheiros, acontece que tenho uma relação estreita com o olfacto - deve ser porque sou (ligeiramente! muito ligeiramente… e mesmo assim é só um boato) dura de ouvido. Farto-me de viajar à boleia de cheiros: a maresia, a terra molhada, a canela, baunilha, café, especiarias… Anos e anos de viagens, ao passado, ao futuro, a lugares distantes. E vão três.

Sou fã incondicional do Calvin & Hobbes. Foi por eles que ganhei o hábito de começar a ler o jornal pela última página. E vão quatro.

Presto imensa atenção à legendagem, que é o mesmo que dizer que vejo tudo com um ouvido no burro e um olho no cigano. Vê-se com cada disparate que é de bradar aos céus, às vezes gostava de ter paciência de apontar tudo e mandar uma errata ao tradutor. A coisa mais parva de que me lembro foi numa mesa rodeada de gente toda empiriquitada, um senhor levantar-se de copo em riste e dizer solenemente: “Vamos fazer uma tosta”. Enfim… E vão cinco.

Por outro lado (contradição!!!) eu digo treuze. É horrível, eu sei… E de cada vez que oiço um treuze sair-me disparado da boca, vejo a Dona Maria de Lourdes, professora primária, a pegar na régua e a dizer: “Vá, estica a mão. Tem de ser, vá”. E tem mesmo. Diga-se, em minha defesa, que procuro com bastante afinco controlar-me. E que sei que se diz treze!

E pronto, agora tenho que falar nas regras do desafio. A saber:

  1. Coloca um link para a pessoa que te desafiou
  2. Coloca as regras do desafio no teu blog
  3. Partilha seis factos sem importância/insignificantes/inúteis sobre a tua pessoa
  4. Desafia seis outras pessoas
  5. Avisa-as que as desafiaste deixando um comentário no blog de cada uma

E cumpridas as regras 1, 2 e 3, vejo-me forçada a quebrar as 4 e 5… Eu sei lá quem hei-de desafiar! Por isso mesmo deixo o desafio no ar, para quem o quiser apanhar. Considerai-vos todos desafiados, caríssimos meia dúzia de leitores que ainda por aqui passam. E se alguém o apanhar mesmo, que diga qualquer coisa aqui nos comentários, sim?

Ora então estamos combinados.

03.04.08

Publicado em desabafos tagged , às 16:43 por catarinia

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A-CA-BEI!!!

 

E estou mais leve uma tonelada. Vá, duas.
Agora vou ali desfalecer de alívio e já venho.

02.22.08

fome. e sede. de letras.

Publicado em leituras, musicalidades às 01:25 por catarinia

Boca do Inferno Kafka à Beira Mar

O Lado Selvagem A Sombra do Vento

Quatro livros. Viagens por quatro dos cantos do Mundo, sem sair do mesmo lugar. Da mesma cadeira desconfortável, do mesmo espaço gelado, da mesma exposição pouco menos que vazia - mas que me despertou a saudade de ler sem prazo e sem obrigação.

Enquanto o tempo se arrasta na espera, na incerteza, na insegurança de um futuro que teima em tardar a chegar. Quatro livros, muitas viagens. E uma música das que, estranhamente, aconchegam.

José González - Heartbeats

One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence
We had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade

To call for hands of above, to lean on
Wouldn’t be good enough for me, no

One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love

To call for hands of above, to lean on
Wouldn’t be good enough for me, no

To call for hands of above, to lean on
Wouldn’t be good enough

And you
You knew the hand of a devil
And you
Kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats
In one night

To call for hands of above, to lean on
Wouldn’t be good enough for me, no

To call for hands of above, to lean on
Wouldn’t be good enough

01.29.08

o SymBioSE está de volta

Publicado em ciência às 04:17 por catarinia

Este fim de semana, descobri isto:

SymBioSE'08
Symposium of Biology Students in Europe
Coimbra e Aveiro - 30 de Julho a 9 de Agosto, 2008

E imediatamente se rasgou o sorrizinho tipicamente idiota de quem está a rebentar de orgulho.

Há 10 anos atrás, eu caloirinha, ainda em Lisboa, mandava o meu primeiro ano na Universidade pouco menos que às urtigas, para me dedicar quase em exclusivo à organização do SymBioSE’98.

Não fui a única, obviamente. E do imenso esforço e dedicação de um pequeno grupo de - acho que posso dizer com alguma propriedade - magníficos doidos varridos, com pouco mais que zero de experiência, apoios e condições, mas quantidades impressionantes de fé, fez-se o SymBioSE. Foi o segundo, e foi um sucesso.

Dez anos depois o encontro cresceu, a estrutura cresceu e o SymBioSE volta a Portugal, para a 12ª edição. Apoiado por uma outra estrutura cuja ideia nasceu precisamente há dez anos atrás, durante a organização do SymBioSE’98: a ANEBio, Associação Nacional de Estudantes de Biologia.

E é uma sensação boa, uma sensação mesmo muito boa, assistir a este crescimento. Faz-me voltar a acreditar que nenhum tempo foi tempo perdido. Afinal, valeu mesmo a pena.

Pois então muito boa sorte para esta organização, e todo o sucesso!

01.16.08

e pronto!

Publicado em ciência, desabafos tagged , às 11:43 por catarinia

Depois de entregue o último papel para pedir o último papel para iniciar os trâmites normais para, aí sim, me marcarem finalmente a apresentação…

…tenho a minha cópia na mão.

E só ao olhar para o livrinho, ao poder pegar-lhe e cheirá-lo e folheá-lo e ler tudo outra vez em papel, é que me apercebi de facto:

TÁÁÁ FEEEIIITOOOOO!!! :D

11.28.07

guilty pleasures

Publicado em musicalidades às 02:14 por catarinia

Sábado ao fim da tarde, eu sozinha no Lab, a apanhar uma valente constipação e a ouvir a Antena 3:

Ana Galvão: (…) e agora vamos ouvir três músicas dedicadas a um tema, e o tema é… Boys Bands.
Eu: Sim senhores, mas que tema de refinada qualidade!
Ana Galvão: Então começamos pelo ano de 1988…
Eu: medo! medo!
Ana Galvão: …e uns rapazes chamados Bros
Eu: Xiiii!!!
Ana Galvão: …um tema do álbum Push
Eu: Ah…
Ana Galvão: …não sei quantas mil semanas nos tops… When Will I Be Famous?
Eu: Mas, mas… Será possível? Eu lembro-me disto!!!

Bros - PushPois eu adoraria poder dizer que iniciei o meu culto musical com bandas de reconhecida e inquestionável qualidade… Mas não é o caso.

E a menos que as cassetes dos Queijinhos Frescos, dos Ministars e dos Onda Choc possam contar para a lista, apagando a nódoa - afinal para estes há desculpa, eram música infantil! - tenho que confessar que o meu primeiro álbum foi precisamente este: um gigantesco vinyl do Push, dos Bros. Que, 20 anos depois, não faço a mais pequena ideia de onde anda, paz à sua alma.

Depois disto, o que é de facto deprimente é só agora ter tido tempo de dar uma voltinha pela Net, a ver se os senhores ainda mexem. E não mexem, mas fiquei impressionada por descobrir que há um clube de fãs que ainda sobrevive - e acumula quantidades impressionantes de piroseira! Já não me lembrava do chapéu da moda, da calcinha debaixo do braço, das toneladas de adereços pendurados por todo o lado… do espelho na pontinha da bota! E a pose? E os olhares fatais? Havia posters destes senhores e, meu Deus!, alguns estavam no meu quarto!

E vai daí, também há vídeos no YouTube. Peço desculpa pelo levezinho odor a mofo mas, quem a seguir se apresenta, com carradas de estilo e fabulosos movimentos de dança, são nem mais nem menos que os senhores que animaram a minha pré-adolescência: os Bros e o seu fantástico When Will I Be Famous?

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